Não sabia o motivo do choro. Estas numerosas gotas escorriam nos intervalos d`seus suspiros descontrolados. Sentia-se tão fora do mundo, se quer o enxergava girar. Estava tão sensível. O prazer era espetacular que volt`e meia pegava-se com vontade de berrar. Berrar felicidade. Cada poro de seu corpo dizia para viver. Ela era fraca. Amor não é só corpo no corpo e olhos nos olhos. Era tão fraca - sair do conforto de sua cidade causou tanta turbulência. Não era só a falta de abraços apertados durante o sono. A falta de todos os encontros. De todos os lugares - com todas as pessoas. Era o excesso de preocupação. O excesso de distancia. O excesso de obrigações. E principalmente a total e literal falta de motivos para essa tristeza gigantesca - Já dizia o tio Bem que com grandes poderes surgem grandes responsabilidades. As outras tristezas eram mais fáceis - óh perfeição agoniante - solidão. Alguém lhe deu o mundo mas está pagando parcelado - é uma questão de ação e reação. Ela estava no lugar em que merecia - ou não. essas sensações e emoções eternas. Enquanto ela, intensa (tentava)decifrava sua felicidade ou tristeza o relógio tiquetateava e o travesseiro acolhia. Os olhos já não aguentavam que se fizesse mais luz naquele momento, pernas esticadas, uma caneca em mãos e um cigarro, fazendo-se passar por companhia.
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