Por aqui é tudo tão quadrado, essa gente que só segue o coreto e vive a mesma bosta sem pestanejar. As vezes sinto náuseas. Começo a fotografar e colocar a prova tudo ao meu redor - talvez uma tentativa frustrada de parar o tempo e inserir, ele, ali naquele exato momento - paro o tempo mas ele não veio. Quem eu amo está no lugar que eu amo e enquanto isso faço o que eu amo em um lugar que odeio. Nem tudo é perfeito. É que tirando isso tudo está perfeito. Tudo que implorei a Deus e ao cosmos durante toda minha vida veio - de carona - com ele. Nunca tive certezas até porquê ter certezas é uma péssima ideia. Tenho certeza de que ele é o amor da minha vida. Na noite de segunda feira o corpo dele não dorme mais junto ao meu - não acordamos enésimas vezes durante a noite pra nos abraçar/entrelaçar/enroscar e estarmos o mais perto possível um do outro para então conseguir dormir. O final de semana infelizmente acabou e o relógio percorre sem pressa durante a semana. Afundo-me nos livros - como pensamento a muitos quilômetros de distancia e no fim não estudei nada. Só me ocorre, então, a garupa de sua Harley veloz, o ronco do motor, o cheiro de cigarro, a falha entre os dentes, a cachoeira, seu rosto através das lentes enquanto tento roubar sua alma com fotografias. Agente costuma atingir outros níveis de insanidade pelo simples fato de deitar na grama e olhar um nos olhos do outro. Costuma derramar lagrimas em nossas semanais despedias. Costuma viver todas nossas teorias e modos felizes, inusitados e totalmente não quadrados de viver a vida. Não sei o que é o amor, como ele acontece, porque ele acontece - sei que morremos e nascemos dele. Sei que era amor quando ele me ouvia, sem exitar, reclamar de outros. Sei que me ver no reflexo dos olhos dele só pode ser verbalizado em - completude. Sei que eu disse: sim. Eu disse sim quando juntos - na esquina inexistente da nossa primeira despedia - imersos no nosso desespero de nos perdemos na distancia - ele me pediu em casamento.
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